Não é preciso repetir que o jornalismo, ou melhor, a comunicação social, vive momentos difíceis: a crise económica e financeira é grande e leva os meios a procurar soluções fáceis de audiência; as redes sociais invadiram-nos a vida e a profissão e, pior, os métodos de trabalho, ao ponto de nós (ou muitos de nós) nos esquecermos deles; o imediatismo tornou-se uma palavra de ordem que nos afasta da reflexão, do contexto e, muitas vezes, do que é importante.

A Inteligência Artificial já está a questionar – e cada vez mais - a nossa maneira de trabalhar; a desinformação alastra e confunde cidadãos e também a nós, jornalistas, desordenando a sociedade.

A nossa legislação está em muitos casos obsoleta. Há que revê-la e modernizá-la em função da evolução da comunicação, onde existem novos atores, e também do papel que o jornalismo nela desempenha. É urgente fazê-lo, bem como encontrar um modelo de organização e autoregulação melhor e mais eficaz que, preservando a autonomia jornalística, possa fazer face aos desafios que temos pela frente.

Há que refletir sobre tudo isto, sobre a mudança e o papel do jornalismo neste tempo. Até porque no meio está o jornalista, o elo mais fraco nesta enorme cadeia que foi perdendo valor. Se ele não puder fazer ouvir a sua voz vai ser objeto e não sujeito. Como em todas as áreas, quem não está sentado à mesa, entra no menu. O jornalista é o elemento principal, mas não existe sozinho. E o jornalismo só prospera com e em meios fortes, com empresas saudáveis.

É por isso que acho importante este cargo. Se quiserem, numa só frase: para dar voz aos jornalistas.

 

Lisboa, 16 de março de 2026

Luísa Meireles
Presidente da CCPJ